Existem pessoas que de uma forma ou de outra marcam a vida de uma pessoa, é sobre uma delas que eu vou falar, chama-se D. H. e foi minha senhoria. Era uma senhora de sessenta e tal anos, católica que alugava quartos na casa onde residia. A casa era (e continua a ser) branquinha e com uma barra amarela, tipica alentejana! O meu quartinho ficava no segundo andar e tinha uma janela para a rua principal. Estive 4 anos a viver nessa casa com a D. H. e outras raparigas.
Como em todas as casas existiam algumas regras a cumprir, uma delas era ter de despejar um jarro de água na sanita em vez de puxar o autoclismo, a D. H. dizia que a água não tinha pressão suficiente para chegar ao segundo andar, claro que a razão não era essa mas sim poupar! O que acontecia era que quando a D. H. não estava todas nós descarregávamos o autoclismo.
No primeiro ano era hábito sair todas as noites e quando chegava a casa tardíssimo, já de madrugada tinha pela frente dois lanços de escadas, um primeiro que dava para o primeiro andar onde era o quarto da D. H. e um segundo lanço do primeiro para o segundo onde era o meu quarto. Ir até ao meu quarto sem acordar ninguém era uma aventura, mais a mais porque a D. H. levantava-se muito cedo!!
Era a D. H. quem se encarregava de limpar o meu quarto que ao longo do tempo foi tendo cada vez mais coisas. Um dia disse-me que o meu quarto parecia uma babilónia e eu achei melhor começar eu a limpar, até porque a curiosidade em mexer nas minhas coisas também era muita!
A ideia de poupança era de tal ordem que no lava-loiças da cozinha a torneira da água quente não funcionava e na da água fria corria um fiozinho de água, lavar a loiça era uma tarefa demorada...
A D. H. era uma senhora que tinha todas as doenças e mais alguma, quando nova tinha trabalhado numa farmácia, as duas coisas juntas tornavam-nos alvos fáceis quando estávamos doentes para que nos tentasse medicar. Nunca mais me esqueço de uma vez em que estava constipada e a D. H. me convenceu a pôr soro fisiológico nos ouvidos, eu nunca tinha ouvido falar de tal coisa! O mais engraçado era que quase todos os medicamentos estavam fora de validade, o que podia ser um verdadeiro perigo para quem os tomasse!!
Como já disse anteriormente a D. H. era católica e de vez em quando lá vinha alguém entregar a santa e distribuir uma revista religiosa. Além disso a D. H. gostava de ler aquelas cartas escritas na Maria do consultório para ela e para ele mas depois dizia- "Que parvoiçe!!"
Muitas coisa há para contar..., estas são só algumas das que me lembro assim de repente. Apesar de tudo... sei que gostava de mim, que se preocupava e confiava em mim para tomar conta da casa nas sua ausência.
O facto de ter vivido na casa da D. H. com pessoas diferentes de mim ensinou-me a ser mais tolerante com os outros, a saber viver em família sem ser na minha. Olhando para trás, foi mais uma experiência de vida!
Beijinhos
Magali
8 comentários:
1 comentário...
sexta-feira, março 09, 20072 comentários...
sexta-feira, março 09, 20073 comentários!?!!
sexta-feira, março 09, 2007Epá! Isto é muito comentário!!!
sexta-feira, março 09, 2007Não fiques triste, Magali :)
sexta-feira, março 09, 2007Parece que te estou a ver e a imaginar a tua reacção:
- 6 COMENTÁRIOS?!?!!! Quem terá sido? O que terá escrito?
Até o coração acelera...
A sensação de alguém ter reagido ao que tu escreveste, não é? Eu sei.
Por isso... não fiques triste, Magali, pelo menos proporcionei-te uns momentos de pura alegria... ou não?
beijinhos
Agora sim, o 6º comentário, como já estava previsto no post anterior. (GOD always knows what He's doing...)
sexta-feira, março 09, 2007Achei bem teres protegido a identidade da D. H. ;)
Love U
És um krido!!!
sábado, março 10, 2007Bigada pelos momentos de alegria:)
mt bj
magali
eu sei quem é a D.H.!!!
sábado, março 24, 2007hi, hi, hi
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