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Natal...

Written by magali 2 comentários Posted in:

Inaugurei hoje a época natalícia, hoje fiz a minha árvore de Natal!
É tradição que tenho de continuar mas o Natal para mim já não é o que era! Antigamente quando estava na casa dos meus pais sentia o Natal de outra forma, tinha a minha mana e era sempre uma festa quando nos juntávamos para decorar a árvore, eu a minha mãe e a minha mana. O meu pai deixava para nós essa tarefa que nós tanto gostávamos de executar. Pôr as luzes, as bolas, as fitinhas, na mais perfeita combinação. Antes de existirem as árvores artificiais íamos a uma mata buscar um pinheiro, coisa que hoje em dia é proibido e acho muito bem! Nessa altura escolhíamos o pinheiro que nos parecia mais bonito, agora são todos muito iguais uns aos outros. Quando chegávamos da mata colocávamos o pinheiro num balde que decorávamos com o papel mais bonito. Depois as prendas iam aparecendo debaixo da árvore e eram sempre mais que muitas! O Natal era sempre recheado de fritos, as filhoses do meu avô que nunca mais comi, este ano pela primeira vez estou a pensar fazê-las, as broas de anis que tentamos sempre fazer mas que não há nenhumas como as feitas pela minha avó I., as velhoses, as azevias da minha avó A. O Natal era passado a véspera com os meus pais e no dia costumávamos ir muitas vezes a casa da avó e do avô em V.F.X. comer as comidas saborosas da avó, a sopa de camarão, os rissóis, aquele arrozinho tão bom, o perú recheado, uma delícia. Era uma grande festa! Também houve anos em que o Natal foi passado no norte com avó A. que fazia sempre o presépio, este ano tenho vontade de fazer um. Nesta altura do ano não consigo deixar de pensar nos meus avós e avô e sentir a falta que tanto me fazem. Lembro-me como se fosse hoje e já foi há algum tempo da última vez que passei o Natal com as minhas avós no Alentejo. Já eram muito velhinhas mas foi tão bom poder ter a sua presença, ver a alegria no olhar de cada uma delas de estarem perto de nós, sentir os seus miminhos especiais insubstituíveis... No meu coração vocês estão sempre presentes!!!
A vida é mesmo assim e este ano cá estou eu e a minha família para celebrar o Natal mas para mim mais tristemente... Talvez quando tiver filhos o natal venha a ter outro encanto!
Muitos beijinhos!
Magali

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É com muito prazer que vou a esta pequenina aldeia da Beira Alta, onde gosto da paisagem, do ar que se respira, do cheiro, da calmaria, das pessoas que me tratam tão bem e de onde tenho imensas recordações!
O meu bisavô é que era da terra e fez lá uma casita para onde vamos desde que me conheço. Não sendo filha da terra, sinto-me como se fosse pois sou muito acarinhada pelas pessoas que me conhecem desde pequena e que sempre tiveram muita consideração pelos meus avós paternos. Todos os anos lá vamos nós fazer a vindima, uma coisa que me dá imenso prazer pelo convivio familiar (é pena que não possamos ir todos!), e por estar a seguir um trabalho a que a minha avó sempre se dedicou tanto. Espero que estejas satisfeita por continuarmos o teu belíssimo trabalho, fazemos o melhor possível... Desde que foste embora que não ía à aldeia, aproveitei para te fazer uma visita, espero que tenhas gostado! Para todo o lado que olhava lembrava-me de ti, sempre com muita saudade de tudo o que vivi contigo e que a minha memória reteve. Apesar de já não estares connosco senti-me ainda mais próxima de ti, por isso foi muito bom!!
Pena que um fim-de-semana sejam só dois dias, por mim tinha ficado uma semana para matar as muitas saudades, dar aqueles passeios maravilhosos, ir à feira, para poder permanecer...
Claro que falatavas lá tu Banita!!!
Já faltou mais:)
Muitos beijinhos!!!
Magali

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Fui ao baú das recordações e fui lá buscar esta música velhinha...
De certeza que te lembras disto não é banita?
Esta é especialmente para nós!!
Poucas pessoas devem conhecer isto, digo eu?
Adoro-te!
Beijinhos!!!
Magali


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Nostalgia

Written by magali 0 comentários Posted in:

Hoje veio a nostalgia do passado muito recente e lembrei-me de todas as pessoas com quem eu convivi durante esse tempo e de quem eu tenho imensas saudades!!!
Tenho saudades das pessoas, do bicho, da Pipa, da T. da C., da Loura,, da I. do A, do B. do F., do L. ...
Tenho saudades dos nossos breaks sempre apressados, das histórias, do debate de ideias enquanto comíamos, das discussões saudáveis que tínhamos, do café, do espaço, do todo...
Tenho saudades dos nossos almoços em que havia sempre um grande convivio, das nossas comprinhas nas lojitas, das gargalhadas e dos sorrisos e do apoio que dávamos uns aos outos nos momentos menos bons!!! Tenho saudades dos meus amigos... e das nossas brincadeiras!!!
Tenho saudades da rua do espaço, do meu PC, do meu lugar...
Tenho saudades de tudo!!!!
A vida é mesmo assim, junta e separa as pessoas mas as recordações ficam na nossa memória até sermos capazes de as recordar e no nosso coração para sempre!!!

Muitos beijinhos!!!
Magali

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Recordações

Written by magali 1 comentários Posted in:

Ontem estava aqui em casa, eu moro na cidade, e quando dei por mim estava a ouvir uma música, pensei que seria alguma festa (sábado à noite!!) mas não era nada disso, fui à janela e estava a passar uma procissão mesmo à minha porta! Fez-me pensar que estava na aldeia, recuar alguns bons anos no tempo e lembrar-me de E. (que saudades...), das vezes em que eu e a minha mana fomos na procissão. Lembro-me de uma em P., que nos juntámos na praça em frente à Igreja, era de noite, havia muita gente e cada um levava uma vela acesa na mão e ia cantando e rezando. Muito bonito de ver um grupo de pessoas todas juntas porque partilham alguma coisa, neste caso a sua crença religiosa!
Muitos beijinhos!!!
Magali

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A "minha" cidade

Written by magali 1 comentários Posted in:

Voltei à "minha" cidade!!! É sempre bom revisitá-la, agora numa perspectiva diferente mas sempre um poço de memórias e recordações...

A viagem curta mas intensa, onde saltam à vista paisagens, coisas que reconheço, uma paragem de autocarro, uma linha de caminho de ferro, uma zona industrial, uma vinha, uma casa, uma cidade, uma igreja, um montado, um eucaliptal, um terreno agrícola, uma saída da auto-estrada, uma bomba de gasolina, uma cidade, uma estação. Évora:)

À minha espera uma amiga que já não via há algum tempo, reencontro, sensações fortes, amizade pura!!:)

Desfrutar a "minha" bela cidade, a Praça do Geraldo, os cafés, as ruas, os cantos e recantos, a Sé, o comércio, as mudanças, coisas novas, o mercado, as pessoas, o ambiente universitário que transborda por todos os lados... recordações boas!!

Foi pouco tempo mas soube muito bem o regresso à cidade que me acolhe sempre tão bem e a boa companhia da A. e do M.

Hei-de regressar sempre a Évora com o mesmo entusiasmo!!!!!

Muito obrigada!!! Adorei!!!!

Muitos beijinhos
Magali

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Páscoa

Written by magali 0 comentários Posted in:

A minha avó paterna era católica praticante e como tal vivia a Páscoa de uma forma mais intensa. Todos os anos por esta altura a minha avó estava no norte na "nossa" aldeia. Além da missa de domingo de Páscoa todas as pessoas da aldeia recebiam em sua casa a visita do padre e de dois diáconos que o acompanhavam, a chamada visita pascal. Nessa visita o padre transportava a cruz de Cristo, os diáconos a água benta para benzer a casa e o saco das esmolas para quem quisesse contribuir para a igreja. A minha avó preparava uma mesa com diversos bolos e vinhos para oferecer ao padre e aos dois diáconos. Tudo isto tinha como propósito receber Cristo. Cheguei a assistir algumas vezes a esta "cerimónia" e devo dizer que numa delas, eu e a minha mana nos escondemos porque era suposto beijar os pés de Cristo e como nós não tivémos uma educação católica para nós isso não fazia qualquer sentido e era melhor não estar presentes senão o padre ainda nos dava um sermão! Claro que a minha avó nos disse que não era necessário beijar a cruz e mesmo que beijássemos qual era o mal que isso tinha, não foi fácil para a minha avó aceitar isso apesar de nunca nos ter obrigado a fazer fosse o que fosse em relação à igreja católica. Se faziamos era porque queriamos, quantas e quantas vezes eu e a minha mana não fomos à missa e a procissões para fazer companhia a avó!!!
É nestas alturas em que as famílias se juntam que tenho ainda mais saudades das minhas avós!!!
Magali

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Histórias...

Written by magali 8 comentários Posted in:

Existem pessoas que de uma forma ou de outra marcam a vida de uma pessoa, é sobre uma delas que eu vou falar, chama-se D. H. e foi minha senhoria. Era uma senhora de sessenta e tal anos, católica que alugava quartos na casa onde residia. A casa era (e continua a ser) branquinha e com uma barra amarela, tipica alentejana! O meu quartinho ficava no segundo andar e tinha uma janela para a rua principal. Estive 4 anos a viver nessa casa com a D. H. e outras raparigas.
Como em todas as casas existiam algumas regras a cumprir, uma delas era ter de despejar um jarro de água na sanita em vez de puxar o autoclismo, a D. H. dizia que a água não tinha pressão suficiente para chegar ao segundo andar, claro que a razão não era essa mas sim poupar! O que acontecia era que quando a D. H. não estava todas nós descarregávamos o autoclismo.
No primeiro ano era hábito sair todas as noites e quando chegava a casa tardíssimo, já de madrugada tinha pela frente dois lanços de escadas, um primeiro que dava para o primeiro andar onde era o quarto da D. H. e um segundo lanço do primeiro para o segundo onde era o meu quarto. Ir até ao meu quarto sem acordar ninguém era uma aventura, mais a mais porque a D. H. levantava-se muito cedo!!
Era a D. H. quem se encarregava de limpar o meu quarto que ao longo do tempo foi tendo cada vez mais coisas. Um dia disse-me que o meu quarto parecia uma babilónia e eu achei melhor começar eu a limpar, até porque a curiosidade em mexer nas minhas coisas também era muita!
A ideia de poupança era de tal ordem que no lava-loiças da cozinha a torneira da água quente não funcionava e na da água fria corria um fiozinho de água, lavar a loiça era uma tarefa demorada...
A D. H. era uma senhora que tinha todas as doenças e mais alguma, quando nova tinha trabalhado numa farmácia, as duas coisas juntas tornavam-nos alvos fáceis quando estávamos doentes para que nos tentasse medicar. Nunca mais me esqueço de uma vez em que estava constipada e a D. H. me convenceu a pôr soro fisiológico nos ouvidos, eu nunca tinha ouvido falar de tal coisa! O mais engraçado era que quase todos os medicamentos estavam fora de validade, o que podia ser um verdadeiro perigo para quem os tomasse!!
Como já disse anteriormente a D. H. era católica e de vez em quando lá vinha alguém entregar a santa e distribuir uma revista religiosa. Além disso a D. H. gostava de ler aquelas cartas escritas na Maria do consultório para ela e para ele mas depois dizia- "Que parvoiçe!!"

Muitas coisa há para contar..., estas são só algumas das que me lembro assim de repente. Apesar de tudo... sei que gostava de mim, que se preocupava e confiava em mim para tomar conta da casa nas sua ausência.

O facto de ter vivido na casa da D. H. com pessoas diferentes de mim ensinou-me a ser mais tolerante com os outros, a saber viver em família sem ser na minha. Olhando para trás, foi mais uma experiência de vida!
Beijinhos
Magali

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Saudades...

Written by magali 0 comentários Posted in:

O meu avô materno era um homem como hoje em dia há poucos... extremamente cavalheiro com todas as mulheres, era um homem à antiga, usava chapéu de abas que tirava às senhoras quando andava na rua, coisas que hoje em dia só se vê nos filmes!! Falava com toda a gente, era extremamente educado! No dia da mulher costumava dar-nos uma florzinha... Era com enorme prazer que passeavamos por V.F.X. na sua companhia, nós tinhamos imenso orgulho nele, e ele orgulho das suas netinhas..., era um avô literalmente babado, costumava ir entre nós e dizer-nos com uma voz carinhosa, "os meus pãezinhos"! Quantas vezes íamos ver onde é que andava enquanto a minha avó esperava com o almoço à mesa..., encontrávamo-lo muitas vezes no jardim da Avenida a ler o Jornal completamente absorvido ou embrulhado em tarefas no colégio! Cumprir horários era complicado..., cada vez que ía apanhar algum transporte, a minha avó apanhava imensas ralações, chegava sempre em cima da hora e muitas vezes tinha de pedir para o comboio esperar! Tinha esse defeito, era muito distraído mas isso era compensado pelas suas muitas qualidades!
A última recordação que tenho dele, foi quando lhe disse que tinha tinha passado no exame de código, estávamos na paragem à espera do expresso para Évora, ficou muito contente... lembro-me como se isso tivesse acontecido ontem... tenho imensas saudades tuas avôzinho!!!
Magali

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Written by magali 3 comentários Posted in:

É sempre uma coisa que me dá imensa satisfação, regressar ao Alentejo, essa região onde vivi durante sete anos da minha vida, é como apanhar uma lufada de ar fresco!!!! Ainda me lembro de quando fui pela primeira vez para a bela cidade de Évora, estava muito triste de deixar a minha cidade, a minha família, o pé, a mana, ia mesmo com a lágrima ao cantinho do olho pela incerteza do que ia encontrar, pessoas desconhecidas, uma cidade diferente, o ter de viver sozinha e partilhar casa com outras pessoas que podiam ser completamente diferentes... Hoje em dia penso ainda bem que fui, conheci uma cidade linda cheia de cantinhos e recantos que hoje conheço bem, fiz amigos e amigas, pessoas extraordinárias sem os quais hoje era difícil de sobreviver, cresci e aprendi a ver as coisas de outra forma... Foi uma bela etapa da vida da qual restam muitas recordações e felizmente alguns BONS amigos!!! A todos eles quero dizer, ADORO-VOS!!! Muitos Beijihos!!!! Magali

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Os meus avós maternos tinham um colégio, onde havia aulas até à antiga quarta classe. Eu e a mana íamos muitas vezes para lá nas férias escolares da páscoa e também chegámos a ir nas férias grandes. Nessa altura não havia aulas mas os pais deixavam lá os miúdos para passar o dia. Eu e a mana eramos mais velhas do que a maioria dos miudos e para todos os efeitos netas dos donos e quando havia zaragata lá diziam eles: “Vou chamar a neta do senhor Ferreira”. O meu avô era um homem muito respeitado pelos miúdos, talvez por ser um pouco severo, ao mesmo tempo era um homem extremamente bondoso para as crianças, estava sempre a tentar dar-lhes tudo o que achava importante, no fundo talvez os tratasse como se fossem seus netos. Na altura do Natal comprava imensos brinquedos novos para a infantil, os habituais carros para os meninos e bonecas para as meninas, passando por jogos, livros, material para as actividades didáticas, um vez comprou uns colchões todos coloridos que se encaixavam uns nos outros e faziam várias formas, comprava instrumentos para a sala de música, enfim...uma quantidade de coisas. Ao fim de semana eu e a mana pasávamos muitas horas no colégio, nessa altura podíamos desfrutar de tudo o que o avô comprava, era tudo só para nós! Passávamos horas na infantil com os brinquedos, no ginásio, onde andávamos nas argolas a fazer cambalhotas, no pneu onde nos enfiávamos e depois baloiçávamos, na trave, no espaldar ou no parque infantil onde havia os célebres baloiços, o escorrega, as argolas cujo o objectivo era passar por entre as argolas desde lá de cima até ao chão, havia também uma rede esburacada até ao tecto que dava para trepar, umas traves onde dávamos cambalhotas. Íamos muitas vezes para as salas de aula fazer desenhos no quadro e brincar às professoas e aos alunos, uma fazia de professora e outra de aluna. Mas uma das coisas que eu mais gostava era do piano na sala de música, apesar de nunca ter aprendido a tocar. Não havia vez, que eu fosse ao colégio e não corresse para o piano..., dava-me imenso prazer estar ali a tocar umas notas. O meu avô passava muito tempo no escritório que ficava mesmo em fente à sala de música e gostava muito de me ouvir, dizia que eu tinha jeito! Tenho muita pena de nunca ter aprendido a tocar...

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Recordações...

Written by magali 3 comentários Posted in:

As férias escolares foram sempre passadas entre a praia e o campo, todos os anos em Agosto iamos à “nossa” terra! Deslocávamo-nos de comboio... a avó preparava tudo com imensa antecipação, na véspera já tinha tudo pronto para o dia seguinte. Apanhávamos muitas vezes o comboio da manhã, e nessa noite, a avó nem dormia preocupada com a chegada a horas, acordava-nos de madrugada, tomávamos o pequeno almoço e lá íamos nós de taxi até à estação de Santa Apolónia. Chegávamos sempre com mais ou menos uma hora de antecedência..., era necessário ficar num bom lugar, perto do sítio onde se punham as malas, para poder estar de olho, uma das muitas recomendações! Normalmente a avó, transportava muitos “malotes”, inúmeros sacos e saquetas com roupa e sapatos para dar lá na aldeia, mercearias para casa, as coisas habituais que se leva numa viagem e a bucha para o caminho caso a fome apertasse, o que acontecia sempre, pois as viagens eram de quatro horas e meia..., isto quando o comboio não se atrasava, o que naquela altura era raro não acontecer! Depois de iniciada a viagem, entretinhamo-nos a ver as paisagens que se iam modificando, as casas, o tipo de vegetação, as cores, o tempo, os túneis, as pontes, os rios... e a ouvir as conversas entre os passageiros e a avó, não havia viagem em que chegassemos ao fim sem ter conhecido alguém... Eu costumava comprar um livro de passatempos com o qual também me entretinha, a mana adorava ir pendurada na janela aberta, com os cabelos ao vento..., a avó estava sempre a recomendar que era perigoso e incomodava os outros passageiros, para vir para dentro, a mana contrariada lá fechava a janela mas quando via a avó distraída, abria-a outra vez! A avó dizia: "se fores capaz de estar sossegada uns minutos, dou-te uns rebuçados!" Só assim é que a avó conseguia fazer com que a mana se mantivesse por ali durante algum tempo! Até porque outra das preocupações da avó era a chegada às diferentes estações, nas quais podiam entrar pessoas e ocupar o nosso lugar, por isso quando andávamos de pé por alguma razão, tínhamos de ir a correr sentar-mo-nos! Como a viagem era longa..., a avó levava sempre um termo com água, umas sandes de queijo e umas peças de fruta que eram descascadas com um canivete pequenino mas que dava imenso jeito! Chegadas ao nosso destino, descíamos do comboio e tinhamos sempre à nossa espera o senhor Canelas, o taxista da aldeia que nos levava para casa e que no caminho ia conversando com a avó e pondo-a a par de todas as novidades! Quando chegávamos à “nossa” terra..., parecia termos chegado a outro país, a paisagem de serra, as cores, a leveza do ar, o cheiro... tão bom! Tenho saudades dessas viagens, quando os tempos eram outros e a idade também!!
Beijinhos,
Magali

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