"A ideia do destino é algo que surge com a idade(...) Só muito depois é que se repara que o caminho já está construído, que alguém o traçou para nós e que a nos resta seguir em frente. É uma descoberta que costuma fazer-se por volta dos quarenta anos, então começa-se a perceber que as coisas não dependem só de nós(...). Para veres o destino em toda a sua realidade, tens de deixar passar mais alguns anos. Por volta dos sessenta, quando o caminho é mais comprido do que o que tens à tua frente, vês uma coisa que nunca tinhas visto antes: o caminho que percorreste não era a direito mas cheio de encruzilhadas, a cada passo havia uma seta que apontava para uma direcção diferente; dali partia um atalho, de acolá um carreiro cheio de ervas que se perdia nos bosques. Alguns destes desvios sem te aperceberes, outros nem sequer os viste; não sabes se os que não fizeste te levariam a um lugar melhor ou pior; não sabes mas sentes pena. Ao longo das encruzilhadas do teu caminho encontras as outras vidas, conhecê-las ou não, vivê-las a fundo ou desperdiça-las depende da escolha que fazes num segundo; embora o não saibas entre seguir a direito ou fazer um desvio joga-se muitas vezes a tua existência, a existência de quem está perto de ti."
Trabalhar com crianças não é facil, estão sempre a fazer braço de ferro porque não querem fazer, ou não assim, ou querem outra coisa. É preciso ser firme e não vacilar. As crianças tem coisas engraçadas e nesse aspecto tem sido boa a minha recente experiência.
Um destes dias um dos meus alunos quis escrever, disse-lhe para escrever sobre o mar. Para meu espanto perguntou-me se podia ser um poema e disse-lhe que sim. Fez duas quadras sobre o mar e para um aluno do 7º ano fiquei surpreendida pelo que escreveu e por ser poesia.
Outro dia destes não queriam trabalhar, estavam cansados e quando dei por mim estava a ouvir da boca das crianças do 7º ano "Hey teacher leave the kids alone". Tive vontade de me rir mas como é óbvio não o pude fazer.
Noto que escrevem muito mal, dão muitos erros, escrevem como falam, são preguiçosos para a escrita em papel, só querem escrever no computador e usar o corrector porque cada frase um erro, é uma tristeza...
Acredito na vida para além da morte. Acredito na reencarnação. Acredito que estamos cá por um propósito, para aprender alguma coisa, para evoluirmos ou não, conforme sejamos bem ou mal sucedidos nesta nossa missão. Não vale a pena tentar forçar as coisas, quando isso acontece pode até dar mau resultado do ponto de vista pessoal. O caminho até pode ser esse mas podemos ainda não estar preparados para o fazer. Se tiver e quando tiver que acontecer acontece...
Um dia destes vi a lua através de um telescópio. Agora compreendo mais os astrónomos, era capaz de ficar ali umas horas a observar os seus contornos, as crateras e as suas montanhas. E depois de a conhecer bem olhava todos os dias mais umas horas para ver se havia alguma mudança, tal cientista. E quem diz a lua diz outros astros, cometas, planetas, satélites mas a lua é de facto muito bonita. É branca na sua maioria e imperfeita.
Desde há algum tempo que sinto necessidade de viver em condições difíceis. É estranho estar a dizer isto mas é o que sinto. Gostava de temporariamente me "despir da minha vida" e ir numa espécie de retiro em que ao mesmo tempo ajudava o próximo. Era uma experiência pessoal que gostava de viver. Mas estas decisões são muito complexas e não têm a ver só comigo, por isso por enquanto vou ficando com essa vontade em "stand by" e vou vivendo outras coisas.´
Ultimamente chamam-me professora ou "setôra", esta semana fiz umas equações, não fazia isso há anos. Tenho alunos mais fáceis e outros nem por isso, uns são muito atinadinhos quase nem se dá por eles mas há os que constantemente tenho que mandar calar, depois dizem-me: - "Ó" professora não seja mazinha! Tenho um aluno que é o mais complicado para se concentrar tudo lhe serve de motivo para não olhar para o caderno e para os livros. E tenho uma aluna pequenina de seis anos que um dia destes quando olhei para ela estava a chorar. Perguntei-lhe o que tinha e respondeu-me quero o meu pai... Enfim por enquanto é o que faço e tem sido bom, estou a gostar do contacto com os mais novos, amanhã pode ser outra coisa qualquer. Não faço ideia...
Deitem-se no chão, num sitio confortável de barriga para cima, palmas das mãos para cima e ouçam a música que vos deixo ou outra da qual gostem mais.
Relaxem e imaginem-se a caminhar por sítios que gostem e que vos façam sentir bem, pelo vosso corpo, por paisagens, pelo universo, na pele de um animal, o que vos dê prazer. Façam isto com tempo e sem pressa para ir a algum lado. O tempo que conseguirem ficar concentrados e quiserem.
Não imaginava que ficar pendurada por uma corda de cabeça para baixo com os olhos fechados e ao som de uma música fosse tão relaxante mas foi! Que bom...
A Primeira Nobre Verdade é que há sofrimento. A doença é sofrimento, o nascer é sofrimento, a velhice é sofrimento, a morte é sofrimento, a dor e o desespero são sofrimentos, o contato com o desagradável é sofrimento, o desejo insatisfeito é sofrimento, os cinco agregados da mente e do corpo que produzem os desejos são sofrimentos.
A Segunda Nobre Verdade é que o sofrimento se origina nos desejos que causa o renascimento e estão acompanhados pelo prazer sensual, buscando a satisfação neste plano físico e além, ou seja, a ânsia de prazeres, a ânsia de nascer de novo, a ânsia de ser aniquilado.
A Terceira Nobre Verdade é que a extinção do sofrimento é a verdadeira ausência de paixão, a destruição completa dessa ânsia de prazeres, dessa ânsia de nascer e dessa ânsia de ser aniquilado. O não mais albergar essa ânsia provoca a extinção do sofrimento.
A Quarta Nobre Verdade é o caminho que conduz à extinção e supressão da dor, é a via que leva à eliminação de Mara e à contemplação da Verdade Última do Ser e, portanto, à Suprema Felicidade sem Limites.